Sistema Educacional na Noruega: o que Raquel Sheherazade precisa saber.

Essa semana fui bombardeada por amigos que, motivados pela declaração da jornalista Raquel Sheherazade na última semana, queriam saber como funciona o sistema educacional aqui na Noruega. A jornalista, em entrevista ao Programa Pânico, da rádio Jovem Pan, disse que O jovem na Noruega tem tanta informação e oportunidades quanto os jovens do Brasil”. Não vou entrar na questão política, apenas explicar como funciona o sistema aqui na Noruega, do berçário até a universidade.

A Noruega preza pela igualdade. Diferente do Brasil, na escola que seu filho frequentar, ele vai ter amigos de todas as classes sociais, exilados, imigrantes, tudo junto e misturado. Eles crescem sabendo respeitar as diferenças. Engraçado que isso é uma coisa que me faz brilhar os olhos. Na minha vida escolar no Brasil, do maternal à universidade eu era a única negra da sala. Aliás, erámos no máximo 2. Cresci em um meio escolar racista e preconceituoso, em que a cor da minha pele provocava nojo em algumas pessoas (ouvia muitos xingamentos) e burburinhos por onde eu passava.

O acesso ao sistema escolar aqui é gratuito e, em alguns casos o sistema é integral. É bom frisar que em todos os casos acima existe um fee anual, que é praticamente nada.

O ensino é de qualidade, os professores se especializam e tem cursos de reciclagem oferecidos frequentemente. Além do mais, os salários são compatíveis com a atividade, mas como qualquer cidadão, eles vão às ruas e fazem greve, como ano passado no mês de agosto, quando reivindicaram por melhores condições e horas de trabalho.

Vamos então ao que interessa, como funciona o sistema por aqui:

Barnahagen

Esse período é voluntário: você matricula a criança se você quiser. A licença maternidade/paternidade na Noruega dura (somadas), um ano. Após esse período, você pode matricular seu filho em uma creche, chamada aqui de Barnahage. Não é obrigatório, mas para as mães que precisam trabalhar, é uma mão na roda. Se a mãe fica com a criança em casa, ela recebe para isso. Na escolinha as crianças aprendem a conviver com outras e tem atividades educativas, assim como no Brasil.

 Grunnskole: barnaskolen e ungdomsskolen

Esse período escolar é obrigatório, gratuito e vai dos 6 aos 15 anos de idade. Se a criança não for para a escola, os pais são reportados. A criança não tem “nota” até chegar ao próximo nível, aos 10 anos. É quando eles aprendem a ler e escrever e já começam a aprender uma segunda língua, o inglês. Em algumas escolas, nessa fase são ministradas aulas de francês e espanhol. Claro, além das matérias que já são nossas conehcidas, como história, matemática, biologia…

Videregående: 16 – 19 anos

É voluntário, mas também gratuito. Posso comparar ao padrão brasileiro de ensino médio. Existem duas divisões: Studieforberedende ou Yrkesfaglige, que, em bom português é a preparação para a universidade, em que eles escolhem a área de atuação – exatas, humanas, saúde; e Escola Técnica, onde eles aprendem a cozinhar, a fazer pequenos reparos em carpintaria ou mecânica, por exemplo, e já começam a receber um salário e a pagar suas taxas.

Universitet e Høyskole

Voluntário e gratuito, mas com a opção de universidade privada, que chega a custar 15 000 euros por semestre. Høyskole é a nossa versão para faculdade. Durante o curso, se o jovem não tem como conciliar os estudos com o trabalho, o governo subsidia 30% de um empréstimo de cerca de 3.850 reais mensais (10 000 kr) até a conclusão.

Como brasileira, sei que o jovem no Brasil não tem acesso a ¼ do que eu escrevi. Além dos cuidados básicos em saúde ou até mesmo saneamento, o sistema educacional aqui funciona e transforma o jovem através da variedade de atividades e matérias ensinadas na escola. A declaração da jornalista seria cômica se não fosse trágica. Sabemos que a distribuição de renda e da riqueza no país determina o acesso e a permanência dos estudantes na escola, a chamada cultura elitista, ativa no Brasil. Já por aqui o que se vê é uma sistema educacional para todos, sem ser excludente ou homogêneo.

norskkurs

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Campanha educativa para os usuários de transporte público em Oslo

Em alguns posts atrás escrevi sobre como alguns noruegueses são sem educação sem generalizar, pessoal. Empurram, não respeitam filas, não dão lugar para os idosos e grávida aqui não tem moral alguma.

Daí você vem e me fala: “Polyanna, aqui no Brasil é pior”. E eu te respondo: existem pessoas e pessoas. Eu fui criada sabendo respeitar todas as pessoas. Ao meu ver não vou quebrar a perna se der lugar a um idoso ou a uma grávida, ou ficar muda se eu der bom dia. São pequenas ações que fazem o nosso dia mais fácil, mais colorido. Falei pro Tomas outro dia que meu problema é ser uma pessoa boa e solícita demais. Raramente eu digo não ou nego qualquer coisa a alguém. E no final quem leva sou eu…

Enfim. O pessoal dos transportes aqui, a Ruter, andou lendo meu blog  lançou uma campanha de conscientização para a população.  Foram plotadas imagens nas estações de metrô, trem e tog. O engraçado é que procurei mais informações sobre e não achei nada nas redes sociais da empresa. OU seja, campanha meia boca. Poiam reforçar nas redes, mas até agora nada…

As imagens abaixo dizem o seguinte: Obrigada por usar o lixo; Obrigado por respeitar a fila; Obrigado por deixar as grávidas e idosos se assentarem; Obrigado por deixar as pessoas sairem do trem antes de você entrar; Obrigado por preparar (para apresentar) seu bilhete antes de entrar no ônibus; Obrigado por deixar os seus pés no chão.

É engraçado porque são coisas que eu sempre faço e que aqui, as pessoas não ligam. Para mim faltou um obrigado por não empurrar as pessoas. Porque se tem um povo que adora empurrar….  Então caro amigo e amiga, antes de falar que no Brasil não respeitam isso, aquilo, lembre-se que não há lugar perfeito!

Lembrando sempre que tudo o que eu escrevo é a minha opinião, o que eu vivo no dia-a-dia aqui em Oslo. Talvez você conheça alguém que passou por situações diferentes. o que é supimpa! E, no bom português: opinião é que nem bunda, cada um tem a sua! 

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Web 2.0: um universo que precisa ser mais explorado pela educação

A Internet e seu uso na Educação*

Porque as tecnologias não são tão exploradas na educação? Sabe-se que no Brasil, o governo trabalha arduamente em um projeto de Inclusão Digital, voltado a população sem recursos financeiros.

Vivendo na cibercultura torna-se necessário considerar a posição de Castells (2003) ao se referir à Internet como a transformação tecnológica que resume o conjunto de transformações da sociedade da informação, ressaltando que tudo que é significativo hoje passa pela Internet e que as pessoas que não têm acesso a ela permanecem excluídas do que é importante, assim sendo, não se pode aceitar que o professor permaneça afastado da Internet e que esta tecnologia não esteja presente na sala de aula da cibercultura.

De acordo com pesquisa[1] realizada pela Intel[2] entre as classes A, B e C, confirma que a principal razão para ter um computador pessoal em casa é a educação, considerada como resposta única. Mas em conjunção com outras respostas, navegar na Internet e se comunicar ganham importância similar.

O Programa Inclusão Digital [3]– PSID, desenvolvido pelo Governo Brasileiro, busca promover a inclusão digital e social das comunidades excluídas do universo das Tecnologias da Comunicação e Informação, chamado pelo Governo pela sigla TCI. Este programa facilita o crédito aos brasileiros que querem adquirir um computador pessoal.

A interatividade cada vez maior dos meios de comunicação exige o desenvolvimento de habilidades específicas as pessoas que dela fazem uso. Caso contrário, aparecerá uma nova forma de exclusão social: o analfabetismo dos meios de comunicação. Tendência para os próximos anos, já que, segundo a pesquisa citada acima, 80% dos que responderam já ouviram falar sobre a Internet, mas não sabem muito sobre a Web.

Educação versus os aspectos da Web

A educação com hipertextos possibilita ações de decisão ao estudante, que é o responsável pela seleção e produção de caminhos (através dos links) e de informações. Não que a escola leve a exclusão, os textos lineares com que trabalha tradicionalmente, mas uma associação maior, a este sistema, de outras linguagens tecnológicas e comunicacionais que permitam ao usuário (no caso o aluno) a seleção, busca e mixagem de informações, de situações de aprendizagem e, conseqüentemente, o diálogo com a realidade atual.

Interatividade e participação. Essa relação com a Web 2.0 permite ao usuário assumir o papel de sujeito. Para Gutiérrez Martín (2002), os novos sistemas multimídias são quase humanos, pois possibilitam uma relação próxima de diálogo e comunicação exclusiva dos indivíduos. Um aluno não consegue se relacionar com os textos dados em sala de aula da mesma forma o qual ele interage com as redes sociais o qual freqüenta. As redes sociais o permitem realizar a interação com os amigos virtuais e ser sujeito da situação. O usuário é estimulado a querer participar, a discutir e compartilhar as descobertas com os amigos.

Assim como as ferramentas da Web 2.0, as redes sociais oferecem um imenso potencial pedagógico. Elas possibilitam o estudo em grupo, troca de conhecimento e aprendizagem colaborativa. Uma das ferramentas de comunicação existentes em quase todas as redes sociais são os fóruns de discussão. Os membros podem abrir um novo tópico e interagir com outros membros compartilhando ideias. O aluno pode ser estimulado pela possibilidade de formar e  trocar conhecimentos online.

Hipertextualidade. O hipertexto das redes sociais é estruturada em nós, com abundância de informações, imagens, janelas, caminhos e linguagens que os textos escolares não possibilitam. O texto virtual permite associações, mixagens, e faz com que o usuário tenha diferentes opções de escolha, seja sujeito em busca da complexidade de informações/caminhos que, na maioria dos processos escolares, não é usual. A complexidade do mundo moderno não está presente nos ensinamentos da sala de aula.

As relações de causa e efeito, a aprendizagem tem significação diferente quando o aluno é usuário das plataformas digitais. Ele busca vencer imprevistos o qual ele está acostumado na Web, descobrir alternativas que o tornem mais competente em suas escolhas e decisões.

Assim como as ferramentas da Web 2.0, as redes sociais oferecem um imenso potencial pedagógico. Elas possibilitam o estudo em grupo, troca de conhecimento e aprendizagem colaborativa. Uma das ferramentas de comunicação existentes em quase todas as redes sociais são os fóruns de discussão. Os membros podem abrir um novo tópico e interagir com outros membros compartilhando ideias. O aluno pode ser estimulado pela possibilidade de formar e  trocar conhecimentos online.

Apesar desse domínio pela grande maioria das crianças e jovens, acredito ser responsabilidade da escola auxiliar no entendimento e reflexão sobre o que está presente nas mensagens tecnológicas, encaminhando a percepção do que está por trás das linguagens, na maioria das vezes, ícones. A escola, assim, possibilita que os alunos, “agentes sociais por natureza, mergulhem na realidade das imagens/mensagens, procurando, primeiramente, compreendê-las pelas experiências, para depois proceder ao distanciamento reflexivo e pensar sobre elas” (Porto, 2000,p. 130).

Por Polyanna Rocha

*Este texto é uma parte do pré-projeto que foi desenvolvido para minha apresentação à candidatura ao mestrado Euromime – Mestrado Europeu em Engenharia de Mídias para a Educação, 2010/2012.


[1] Disponível em http://www.estadao.com.br/arquivo/tecnologia/2006/not20060529p70371.htm

[2] Intel é marca registrada da Intel Corporation ou suas subsidiárias nos Estados Unidos e outros países. www.intel.com

[3] Disponível em www.inclusaodigital.gov.br/

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