[Vida na Noruega] Política x imigrantes

Há realmente um “problema de imigração” na Noruega?

A política de abertura à mão de obra estrangeira foi encerrada em 1975. Eram os paquistaneses que acabavam de chegar, então, ao mercado de trabalho norueguês. Essa comunidade, primeira e segunda gerações, representa hoje o grupo mais importante vindo de um país fora da Europa, e a maioria das 90 mil pessoas, da religião muçulmana (vale lembrar que 86% dos 5 milhões de habitantes da Noruega se definem como protestantes luteranos). Os imigrantes que chegaram depois de 1975 são essencialmente cidadãos da União Europeia – Suécia, Polônia, França, Alemanha – empregados pela indústria ou refugiados e exilados submetidos a critérios de aceitação muito estritos.

A Noruega parece não ter conseguido criar uma sociedade multicultural onde a integração não é um problema maior. Muitos noruegueses não aceitam os imigrantes: eles vieram para Oslo (e outras cidades), trouxeram consigo a sua cultura (óbvio) e a grande maioria não se adaptou aos costumes nórdicos: não querem aprender a língua, vivem em suas comunidades, com sua cultura e criam as crianças dentro do regime islâmico, sem nenhuma chance de se tornarem norueguesas de verdade – apenas na certidão, já que uma criança nascida na Noruega não se torna automaticamente norueguesa. O preconceito contra imigrantes é tão grande aqui que existe um Centro contra o racismo. Ser imigrante por aqui não é tarefa fácil e exige paciência.

O governo norueguês é visto como uma mãe para muitos imigrantes.

O feeling de que o país dá dinheiro demais para desempregados e estrangeiros foi fator decisivo para a vitória conservadora nas urnas, dando a Erna Solberg, a cadeira de premier do país. Erna faz parte do Partido Conservador norueguês, de centro-direita, que formou um Governo de coligação com o Partido do Progresso, conhecido pelas suas posições anti-imigração. Ou seja, eles estão trabalhando para transformar a vida dos imigrantes, para pior. O novo regime para a imigração fixa a idade mínima de 24 anos para que um imigrante que viva no país possa estabelecer família com um cidadão estrangeiro. Está prevista igualmente uma maior diferenciação entre os pedidos de asilo, o que acaba por ser, segundo o The Guardian, uma forma de facilitar a deportação.

Com essa nova política imigratória, alguns pedidos de visto tem demorado mais do que o normal. O setor responsável por analisar os pedidos de visto, UDI – Utlendingsdirektoratet tem tirado um tempo maior para analisar os pedidos e o número de deportados também cresceu.

Se você deseja residir na Noruega, você precisa ter uma autorização de residência legítima. Brasileiros tem 90 dias de visto, já que o país faz parte do Espaço Schengen. Passou deste tempo, é multa e você estará sujeito a deportação. Existem várias autorizações de residência para estangeiros na Noruega. As seguintes são as principais:

  • Direito de residência para cidadãos dos países da UE/EEE/EFTA
  • Autorização de residência para refugiados por razões humanitárias graves ou por ligação com a Noruega (razões humanitárias).
  • Pessoas que têm família na Noruega ou que desejam unir com um residente, podem solicitar autorização de união familiar.
  • Autorização de residência para trabalho.

A autorização de residência que lhe é concedida implica determinados direitos e deveres. Todos tem a inteira responsabilidade de aprender quais são as leis e as regras que lhes são aplicados. Os residentes na Noruega tem a obrigação de aprender e respeitaras leis e as regras do país. Tem também a obrigação de fornecer informações correctas quando essas são exigidas pelas autoridades.

Quer migrar para a Noruega? Leia mais no site da Embaixada da Noruega no Brasil e da UDI.

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Emprego e mercado de trabalho na Noruega

Recebo muitos emails com uma questão em comum: Polyanna, quero me mudar para Noruega, é fácil arrumar emprego?. Não. Não é fácil. E as coisas não são tão simples quanto as pessoas imaginam: vou arrumar minha malinha e ir para Noruega, porque lá é um país de primeiro mundo e não tem esquerda, nem direita.

Antes de qualquer coisa você precisa pensar em relação ao visto. Como expliquei neste post aqui. A oferta de trabalho por aqui é grande, mas você precisa falar norueguês. Conheci muita gente que me dizia: “Ah, eu falo inglês, me viro”. Na hora que o bicho pegava não falava era nada além de My name is. Claro que tem muita gente que não fala inglês e se vira (adoraria saber como), talvez pela linguagem de sinais. Se eu não falasse inglês tenho certeza de que meu norueguês seria muito melhor a esta altura. Como a maioria dos meus amigos não é daqui, inglês é a minha língua oficial e só uso norueguês se estou alcoolizada ou se me forçam. Escrevo bem, mas na hora de falar, t r a v o. Mas estou trabalhando esse quesito.

Oslo possui uma das taxas de desemprego mais baixas do país, sendo, por isso, um dos locais mais fáceis para encontrar trabalho. Muitas das empresas, sobretudo na área de TI, exigem o domínio do norueguês.

Um órgão que suporta e apoia o recém chegado à Noruega é a NAV–  Agência Serviço de Emprego e Assistência Social. A NAV possui escritórios espalhados pelas Kommunas (região da cidade onde você mora, bairro) e oferece ajuda quando é preciso qualificações para emprego, doença ou outras situações, como por exemplo ajuda econômica e assistência social. Bom frisar que a NAV não tem a responsabilidade sobre a procura ou garantia de trabalho, embora tenha como objetivo facilitar o emprego para a maioria dos indivíduos.

Em 1954, os países nórdicos (Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia) celebraram acordo formal sobre a livre movimentação de mão de obra. Em 1994, entrou em vigor o acordo EEA, que expandiu o mercado de trabalho norueguês pela adesão ao mercado comum europeu de mão de obra. A nova Lei de Imigração e sua regulamentação, em vigor desde 1º de janeiro de 2010, contêm normas sobre a mão de obra imigrante. A exigência de permissão de trabalho para cidadãos de países UE/EEA/EFTA foi substituída pela exigência de registro junto à UDI.

Num país onde a taxa de desemprego pouco ultrapassa os 3 pontos percentuais, o recrutamento de Engenheiros é um dos principais atrativos, seguido de profissionais ligados ao Marketing e à Economia. A legislação norueguesa apenas prevê um máximo semanal de 37.5 horas de trabalho, sendo qualquer minuto extra obrigatoriamente pago aos trabalhadores. Por ano, o trabalhador tem direito a 25 dias de férias (ou 30, se tiver mais de 60 anos de idade), sendo que parte desses dias são obrigatórios no verão.

Alguns sites que podem ser uteis na busca por emprego:

  1. linkedin.com
  2. indeed.com/no
  3. finn.no/jobb
  4. nav.no
  5. www.workinginnorway.no
  6. www.legejobber.no 
  7. www.monster.no
  8. www.karrierestart.no
  9. www.jobb24.no
  10. www.tu.no/karriere
  11. www.stillinger.no

Quer migrar para a Noruega? Leia mais no site da Embaixada da Noruega no Brasil.

Como funciona a licença paternidade na Noruega?

Licença paternidade no Brasil ainda é algo distante, mas em muitos países, inclusive aqui na Noruega, é um direito dos papais, a pappapermisjon.

Após o nascimento da criança, o pai tem direito a uma dupla licença: primeiro por quinze dias após o parto, e depois num período escolhido por ele para ter 46 semanas de licença, com direito a 100% do salário, ou 56 semanas, com pagamento de 80% do salário.

Para incentivar os homens a cuidarem de seus filhos, uma cota de dez semanas é reservada a eles. Se eles recusam sua pappapermisjon, essas dez semanas são perdidas, uma vez que a mãe não pode tirá-las no lugar do pai.

O inglês Paule Miller vive na cidade norueguesa de Alesund e tem usado a sua licença de paternidade para tirar fotos de sua filha Emily em diferentes situações. Em janeiro deste ano, ele iniciou o projeto denominado Mr. Mum (algo como Mr.Mãe), em que espera registrar momentos da filha em curiosas e engraçadas. E tem conseguido surpreender.

Miller afirma que vai finalizar o “projeto” com a centésima foto.

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