Carta aberta aos usuários do Sistema de Saúde de Conselheiro Lafaiete.

Esse post foi CENSURADO através de email e telefone, mas vou deixá-lo aqui.

“Posso não acreditar em uma palavra que dizeis, mas defenderei até a morte o direito de expressá-la”- Voltaire


Recebi muitos emails de revolta e apoio o qual vou postar aqui nos próximos dias. Não identificarei o remetente. Aproveito para confirmar que a família não quer nada além de alertar outras famílias de Lafaiete.

Hoje, dia 5 de outubro, o estado de Lea Rocha continua gravíssimo, piorando a cada dia. Entregamos sua vida a Deus e que Ele faça o melhor. Mas não vamos nos calar. Nenhum tipo de ameaça vai nos fazer calar.

Aos que nos chamaram de hipócritas, mentirosos e “arruaceiros”, que Deus ilumine suas famílias e que NADA parecido aconteça. O seu telhado também é de vidro.

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Você já teve ATENDIMENTO NEGLIGENCIADO e/ou até NEGADO em caso de emergência?

Leia COM ATENÇÃO e por favor reecaminhe para a sua lista.

É uma benção poder contar com um plano de saúde. Principalmente quando ele funciona. Segundo dados da ANS, menos de 25% da população brasileira pode contar atendimento de planos de saúde. É pouco em vista de um país com uma população de 192 milhões de habitantes. Em uma cidade onde o SUS não funciona (porque por experiência própria, existem sim, cidades onde o sistema funciona), é inadmissível que uma pessoa IDOSA que paga o plano de saúde em dia, desde 02/04/2004, atualmente no valor de R$418,52 (considerando ainda que é um plano participativo) não seja atendida em caso de urgência/ emergência com eficácia.

RECORTES DA VIDA REAL:


No dia 24 de setembro por volta das 08:00 horas, Léa Clemente da Rocha (75 anos) deu entrada no PA da Unimed CL com suspeita de AVC. Encaminhada para o Hospital e Maternidade São José ela foi prontamente atendida pela plantonista Dra Valeria (pneumologista) que pediu, após exames iniciais, uma tomografia que rapidamente foi providenciada na Image Diagnose. Em pouco tempo a paciente pode retornar à Maternidade, onde ficou na emergência esperando vaga em leito hospitalar até por volta de 12:30 horas.

Às 13:30 horas, Mara que é psicóloga hospitalar e sobrinha da paciente chegou na Maternidade e comprovou que a mesma não estava sendo assistida para o evento o qual sofreu, recebendo apenas hidratação venosa e reposição de oxigênio. Foi informada que a paciente havia sido encaminhada pela Dra Valéria para a neurologia. Dra. Valeria antes de finalizar o seu plantão, informou por telefone ao Dr. Miguel Réche o caso clínico, pois o mesmo não se encontrava mais no hospital. Ele recusou retornar para assumir o caso ainda na sexta-feira. Mara, por volta das 15:45 horas conseguiu fazer contato via celular com Dr. Miguel, pois havia dúvidas até mesmo no uso da medicação de rotina de Léa, já que a mesma é portadora de Parkinson e arritmia cardíaca. Não havendo êxito na tentativa de que o médico viesse ao hospital para avaliar a paciente vítima de AVC isquêmico já há OITO HORAS, tentou-se adequar as orientações do neurologista. Ele mandou que fosse administrado os medicamentos para Parkinson, só que a sobrinha informou que a paciente não estava deglutindo nem mesmo a saliva. Dr. Miguel disse que então era para esperar a avaliação dele, que aconteceria somente no sábado.

Como que a família poderia permitir que uma paciente nessas condições clínicas ficasse sem atendimento adequado por mais de 24 horas, sendo que o AVC poderia repetir e complicar ainda mais o quadro?

Mara buscou insistentemente pela emergência do hospital… Por volta das 18:00 horas a paciente foi avaliada pelo então plantonista Dr. Múcio que prescreveu uma sonda nasogástrica para administração da medicação parkisoniana  e digoxina trazida de casa pela familia  e  a pedido dos familiares foi requerido exames de sangue e raio-x.

Enquanto isso, Polyanna, também sobrinha da paciente, tentou contato com os médicos neurologistas associados UNIMED, sem sucesso. Ligou para a Assistência Social da UNIMED CL às 17:15 horas e ninguém atendeu. Um funcionário do PA UNIMED CL disse que ela não conseguiria falar com ninguém porque todos já deveriam ter ido para casa. A secretária do neurologista Dr. José Augusto informou que ele não poderia entrar na Maternidade São José por motivos éticos, afinal a obrigação de assistência era do “colega” Miguel Réche. Que ética médica é esta que permite que uma paciente fique sem atendimento adequado por tantas horas? Polyanna buscou por outros neurologistas na região e constatou que Dr. Miguel estava de sobreaviso em Ouro Branco. Já que ele não se dispunha a vir até a paciente foi decidido em família transferi-la para a FOB, “levá-la até o doutor”, principalmente depois de informar o resultado detalhado da tomografia para um médico da família, que orientou que a paciente precisava de cuidados urgentemente.

Mara e Cirilo (outro sobrinho de Léa) procuraram pelo Dr. Múcio para que ele providenciasse os encaminhamentos necessários. Ele se recusou dizendo que seria antiético transferir a paciente do “colega” Miguel. Mas uma atitude de omissão e negligência em nome da ética médica? Porque além do “colega” Miguel ainda não ter comparecido para assumir o caso clínico e então a paciente manter-se sob a responsabilidade do plantonista (Dr. Múcio), ele também representava a Diretoria Clínica do hospital. Depois de ser lembrado dos direitos que a família tem, assim como os deveres que lhe cabia dentro de tal contexto, Dr. Múcio disse que organizaria o processo de transferência e se retirou para a recepção do hospital. Devido ao seu comportamento dissimulado, descompromissado e manipulativo frente ao desespero da família e a piora do quadro clínico da paciente (oscilação de glicose e pressão arterial), a família optou em informar ao Dr. Múcio que estava chamando a polícia militar para registro de um boletim de ocorrência. A polícia militar em poucos minutos compareceu ao Hospital e Maternidade São José.

MUDANÇAS DE PARADIGMAS:

Após conversa com os policiais, por volta de 19:00 horas, Dr. Múcio informou aos sobrinhos Mara e Cirilo que tudo estava resolvido. Tinha feito contato telefônico com o Dr. Miguel que estaria vindo atender/avaliar/assistir a paciente Léa Clemente da Rocha em quadro de AVC desde às 07:30 horas. Depois de tanto estresse, até que ponto a família poderia confiar que o DESCASO POR ACASO ou por pressão SERIA SUBSTITUÍDO POR ASSISTÊNCIA COM QUALIDADE E EFICÁCIA? ASSISTÊNCIA PAGA mensalmente e em dia, há anos…

A família decidiu pela transferência da paciente e por garantia de que as coisas realmente se resolvessem, ofereceram o próprio celular para que o Dr. Múcio fizesse contato de médico para médico com o plantonista da FOB (Dr. Ricardo, que já tinha sido informado sobre o teor dos acontecimentos pelo Dr. Rogério – anestesista, que também estava de plantão no referido hospital e é amigo da família). Enquanto esperavam a confirmação do leito para transferência, surge o Dr. Miguel Réche. Disponível, educado e decido propõe que a família o acompanhe ao leito da paciente. Justifica que conseguiu resolver todos os seus empecilhos que o impediam de vir assumir o seu papel junto a Sra. Léa. Então, a examinou minuciosamente e conclui que a situação não era só alarmante, era grave mesmo. O AVC era de origem cardíaca devido a uma arritmia com aumento considerável do tamanho do órgão, a condição respiratória era decadente e havia presença de secreção nos pulmões. Dr. Miguel pediu imediatamente avaliação clínica pelo plantão, que por já passar das 19:00 horas, estava sob a responsabilidade  da Dra. Silvana. Ela confirmou a gravidade do quadro geral da paciente e concluiu que se tratava de um encaminhamento sem mais demora para o CTI.

Graças a Deus ou graças à presença da polícia, existia uma vaga no CTI daquele ambiente de assistência à saúde, pois a paciente estava em risco de morte sem condiçoes de ser transferida. Dra. Silvana permaneceu o tempo todo ao lado da paciente até ela ser levada ao CTI (era cerca de 20:30 horas), monitorando atentamente o quadro por ter consciência que a Sra. Léa poderia PARAR  a qualquer momento, ali mesmo, naquele leito hospitalar onde não foi tratada com o devido respeito que merecia e que tem direito.

A paciente encontra-se em ESTADO GRAVE no CTI do Hospital e Maternidade São José.


A família em estado de repúdio decidiu registrar e divulgar estes fatos, porque a Sra. Léa Clemente da Rocha tem pessoas a sua volta com formação, conhecimento e coragem de gritar e lutar por ela. Infelizmente e com certeza, MUITOS TÊM SIDO SILENCIADOS NOS CORREDORES E LEITOS HOSPITALARES PELA FALTA DE COMPROMETIMENTO ÉTICO E HUMANO DE DETERMINADOS PROFISSIONAIS QUE PRECISAM DA PRESENÇA DA POLÍCIA PARA RELEMBRAREM O CONTEÚDO DE SEUS JURAMENTOS EM NOME DA SAÚDE.

Conselheiro Lafaiete, setembro de 2010.

FAMILIARES E AMIGOS de LÉA CLEMENTE DA ROCHA

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2 comentários sobre “Carta aberta aos usuários do Sistema de Saúde de Conselheiro Lafaiete.

  1. Polyanna,

    Manifesto-lhe minha solidariedade, mas discordo quando você diz ser uma bênção ter plano de saúde. Para mim é um desastre, porque somos esfolados por um absurdo de impostos, que são em parte furtados impunemente, não nos restando outro caminho a não ser custear saúde, escola, segurança e previdência privadas. Desastre maior só para os usuários do SUS, mas este não é o espaço para aprofundar esta discussão.
    Você mesma constatou que o atendimento à dona Léa não foi uma dádiva; que mesmo tendo um plano de saúde não se pode ficar tranqüilo. É quase certo que a UNIMED não vai apurar rigorosamente o que aconteceu com sua tia no Hospital São José, embora seja sua obrigação fazê-lo, porque é responsável por fiscalizar os prestadores de serviços que credencia. Simples: não há em Lafaiete outro hospital “tão bom” para onde encaminhar os pacientes. A UNIMED faz favores financeiros ao hospital; os médicos dirigentes da UNIMED também atuam naquele hospital. Dariam um tiro no próprio pé? (Talvez no caso no próprio peito).
    O caso de dona Léa não é o primeiro. Já aconteceu coisa comprovadamente pior, que chegou ao conhecimento de médicos que julgo bons como profissionais e limpos de caráter, mas que inexplicavelmente e comodamente mantiveram silêncio. Nenhuma providência foi tomada pela administração, pelo diretor médico e pelo comitê de ética do hospital.
    E a elite de Lafaiete? Celebra os médicos em suas festas, jantares, viagens e jornais, mas quando precisa de tratamento, principalmente cirurgia, prefere ir para Belo Horizonte, evitando os doutores e os hospitais daqui. Não raramente médicos lafaietenses e seus familiares deixam de utilizar os recursos da medicina local para recorrer à medicina de BH, embora digam que a medicina daqui seja muito resolutiva.
    Não se deixe intimidar. Você não está sozinha. Sua manifestação incomodou porque além de contundente não pode ser ignorada ou rebatida pelo descaso, escárnio e prepotência com que outras foram rechaçadas. Didática, sem calúnia e sem difamação, atingiu muita gente que patrocina a hipocrisia, mas que num confronto decisivo vai se render, dizendo que “isto nunca aconteceu antes; trata-se de um fato isolado”. Não é difícil passar da hipocrisia ao cinismo. Resta saber qual garganta subalterna dará voz à cínica declaração.

  2. Dr. José Augusto, neuro em Cons. Lafaiete, atende na Maternidade. È um carniceiro, açougueiro, custo a crer que ele tem preparo para atender doentes. Há de pagar por todos os erros que acabaram em mortes. Ele e sua família.

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