O que os olhos não veem…

O estudante de medicina Thiago Santos descobriu que tinha astigmatismo com 16 anos. Nada anormal para um adolescente que tem casos de problemas de visão na família. O paciente com ceratocone começa a ter dificuldades com a visão normalmente na adolescência, e se desenvolve por volta de 5 a 10 anos.

Dois anos depois dos primeiros sintomas e com o progressivo aumento da doença, Thiago constatou que tinha Ceratocone. Hoje, aos 24 anos, a doença já alcançou um nível em que a visão está extremamente prejudicada e atrapalha a sua qualidade de vida. “Alguns fatos simples no dia-a-dia são constrangedores já que eu enxergo menos que o normal” conta o estudante que ainda ressalta a dificuldade para executar as atividades da medicina, como “dar pontos” nos pacientes.

De acordo com o oftalmologista Raphael Sant’anna, nesta doença o afinamento da córnea é progressivo, e chega uma hora em que os óculos e lentes de contato não resolvem mais a distorção na visão. “Quando o paciente tem a intolerância com as lentes ou elas não fornecem uma boa visão mais, a cirurgia de Anel de Ferrara é indicada antes do transplante de córnea”. O estudante Thiago começou seu tratamento para a doença com o uso de lentes rígidas. “Não me adaptei a essas lentes. Fiz tentativas com outros materiais, mas também não surtiu efeito”. Segundo o estudante o preço das lentes é relativamente caro, em torno de R$600 o par, fora os colírios apropriados.

A cirurgia do Anel de Ferrara

O médico mineiro Paulo Ferrara, descobriu um método de amenizar a doença em 1996, quando experimentou a chamada cirurgia do Anel de Ferrara. A cirurgia tem custo baixo, mas a prótese é cara. Segundo o médico o SUS “ainda não cobre esse tipo de cirurgia”. Alan Sardeiro,17, de Vitória da Conquista, veio a Belo Horizonte para fazer a cirurgia do Anel com o oftalmologista. “Aos 14 anos percebi que estava enxergando mal na escola”. O bahiano teve o diagnóstico de ceratocone logo na primeira consulta oftalmológica e passou a usar óculos que tinham o grau baixo ainda. Depois de 8 meses o adolescente não conseguia enxergar mais nada e tentou se adaptar as lentes de contato rígidas. “Tentei por um ano as lentes, mas só me incomodavam”, diz Alan que nunca tentou o tratamento pelo SUS-Sistema Único de Saúde. Alan fez a cirurgia em janeiro deste ano e não sofreu com a rejeição, que segundo o médico Paulo Ferrara, praticamente nulo. A visão de Alan que chegou a somente 10% nos dois olhos antes da cirurgia, hoje é de 50% no olho direito e com lentes chegou a 80% em ambos os olhos. “Com óculos tenho 60%. Pode parecer pouco, mas pra quem chegou a ter 10% estar com 80% é um ganho enorme”, comemora Sardeiro.

A cirurgia é rápida e segura. “Dura em média 15 minutos”, explica o oftamologista Paulo Ferrara, desenvolvedor do método. A segunda opção do estudante bahiano seria o transplante de córnea, que, de acordo com o SUS, mais de 1 milhão de pessoas estão à espera de doadores. Desse número, 70% são portadores de ceratocone.

Por Polyanna Rocha

Saiba mais sobre o ceratocone no Blog do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Mais informações sobre ceratocone, Anel de Ferrara

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3 comentários sobre “O que os olhos não veem…

  1. Ola, a mais ou menos uns 4 anos descobri que tenho Ceratocone, entrei no site porque estava em busca de informações mais precisas se o SUS cobre esta cirurgia, se em algum canto do País a esta possibilidade pelo SUS.. uma dúvida já que uma grande parte da polução se ve hoje com problemas de visão..

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