Diário de uma cegueira – Um ano depois.

Em outubro fez um ano que eu perdi a visão do olho esquerdo e parte do direito. Um ano turbulento, louco. De uma vida tranquila e estável, fui pro buraco, mergulhei em uma depressão e me perdi. Mas e agora, depois de um ano?

Fui incentivada pela minha terapeuta a escrever sobre o que mudou nesse ano.  E olha, muita coisa mudou. Primeiro: o ano voou e eu nem percebi. Coisas boas aconteceram e como pra qualquer outra pessoa, merdas também. Em se tratando de Polyanna, muitas merdas.

Eu reaprendi a andar sozinha. Tombo após tombo, escorregões. Pedir ajuda a alguém nunca foi fácil pra mim. Pois agora preciso que o Pedro me ajude nas escadarias do cinema ou que a Pri me deixe segurar o seu braço enquanto andamos durante a noite. O senso de profundidade que antes era zero, começou a voltar, mesmo que nunca mais será o mesmo. Se bebo, cismo que posso me virar sozinha, e conto orgulhosa os roxos pelo corpo decorrente dos inevitáveis tombos, que vieram por conta da falta de visão.

Perdi um (bom) emprego por causa da minha condição. Processei. Fiz um acordo. Caí em depressão. Fiquei na cama por dias, não tomava banho. Recebia amigos que na marram me tiravam de casa, mas antes me obrigavam a tomar um banho. Não me orgulho, longe disso. Mas é bom frisar que a depressão não tem cara não. É um processo duro e lento, em que a pessoa tenta vencer sozinha. Eu agradeço à aqueles que estiveram e ainda estão ao meu lado. Descobri que eu já tinha um quadro de depressão antes, mas que a cegueira foi o gatilho pra piora. Não uso nenhum medicamento. Vou à terapia e isso tem me ajudado muito, muito.

Escrevi 100 páginas da minha tese de mestrado e estou prestes a submeter. Pra mim, uma vitória. Nunca pensei que eu conseguiria terminar depois de tantas pedras pelo caminho. Consegui um novo emprego como estagiária em agosto e mês passado recebi uma proposta para continuar, agora como contratada. No dia que a minha chefe me chamou pra uma reunião para falar sobre o meu futuro na empresa, foi o dia em que eu perdi a visão. Não  me contive e chorei. Porque vivi tantas coisas nesse ano que, meu ano novo não podia ter começado de maneira melhor: com um emprego num lugar que eu amo, com pessoas maravilhosas e que eu adoro.

Muito ainda há de vir. Eu renasci. Sou outra pessoa. Mais calma, mais centrada, com menos medo do que os outros pensam ou falam de mim (trabalhando nisso!). Aos poucos estou reaprendendo as coisas que eu deixei pra trás. Principalmente a me amar e a me cuidar. Tenho viajado mais. Passado mais tempo comigo mesma. Voltei a nadar semanalmente, mesmo com o frio que já chegou. Fazendo planos para o próximo ano. E agora, contando os dias para ver minha família em breve.

Precisei destacar esse post com uma foto minha que sintetiza bem como eu estou nos últimos meses: feliz e plena!

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A weekend in the Faroe Islands with Mikkeller brewery

Aos amigos brasileiros, o link pro google tá ali embaixo, mas vou traduzir em breve 🙂

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Mikkeller’ first beer brewed in Tórsthavn

Last weekend I had the honor and privilege to fly to the Faroe Islands with my partner in crime Roberta to be at Mikkeller’ bar opening in Tórshavn. If you know me, it is very clear that I love beers, I’m very into the Scandinavian brews and that I often go to Copenhagen because of Mikkeller, once we do not have a bar here in Oslo (and yes, I’m using it as an excuse to go my fav Scandinavian city).

I won the trip as a Mikkeller marketing action in partnership with SAS airlines and Hotel Føroya. I know you are thinking: “Did she win again?!”. I did. But it wasn’t a “free trip”. I won an amazing experience, got to meet great people and learn a lot about friendship.

Maybe you have tried Mikkeller in Brazil. Maybe you have tasted it in Japan, US or Stockholm. They are everywhere – 40 + countries, and yes, they are ready to take over the world.

We met part of the crew at Copenhagen airport, after a long night drinking at Mikkeller bar at Viktoriagade, since Roberta have never been there and I wanted her to go there. Roberta and I have been friends for years and we try to meet at least once a year once she lives in Paris and I’m based in Oslo. Two weeks ago, we met in Stockholm and decided to have a new trip next year. During one of our drunk nights, I tagged her on a Mikkeller post on facebook. My last words were: “Roberta, tag me back” and then she died. My mistake. Less than a week after we would meet up again for a crazy adventure.

Back to the point.

Usually, I don’t expect nothing from no one/ situation. Since I got sick I’m trying to live day by day, having fun and enjoying. Zero drama.  So, I was open for whatever and so Roberta. If you are foreign in Scandinavia you know that people might be a lot bit cold/quiet. And I was fine with it. Again, my mistake. Since the first very email Mikkeller’ crew were amazing. We got to meet Theis (the cam guy), Mixen and Jacob (Mikkeller), Rasmus (magician!!!) Jonathan (Arizona Wilderness brewery) early morning at CPH airport. Robert and I had almost no sleep the night before and we were still drunk after a long night drinking at Mikkeller’ bar. They welcomed us with a beer (of course!) a magic show. I mean, 9am, two still drunk girls and we get beers and a magic show. I remember telling Roberta: vai dar merda!. 

I had one of the best flights of my life, even with a crazy landing due to the wind. And I hate to fly. We tasted the new brews in partnership with SAS, and the vodka. In land, we got to know the full team: Mikkel, the founder, his adorable wife, Pernille and their kids Poly and the sweetest Stella; our “guide” and Hotel Forøyar marketing head, Thora, SAS representative Peter Lawrence and his wife and baby Archie (who smiled at me every time I said the word beer).

Honestly, I thought we would have a chill time. We arrived and we went to a guided tour/ Treasure hunting. We got Mikkeller beers, wine and local food to taste: dried codfish, lamb, and whale (whale hunting is a huge historical thing in the islands, but I will leave it for the next post). And of course, scenic views that made me happy for being healthy after such a crazy year. Of course we ended it up at the bar and with a nice dinner.

It was a crazy weekend, full of new experiences, surrounded by amazing people. I got to run in jeans and shitty shoes after to chug a beer can. I got to dance with amazing local people, and had to take a shot in each place we enter dancing. Maybe 3?4?. I’m not emotional, but in the middle of the dance I looked at Roberta and said: “Girl, I’m gonna cry”. And I did. Had a weird/ amazing feeling that I can not explain. And I was not high.  Thora told me in the day before the opening: “If you party here, you have to be welcomed”, I heard. Since I’m very polite, no way I would say no to the ram’s horn filled with a spirit (maybe aquavit?)”. Those people really know how to party! And I, my friend, I know that pretty well.

Talked to these people I have met gave me a broad idea about Mikkeller. I knew them from before, the brews, the special brews, the background. After that weekend, I bet you that Mikkeller success it is because of the people behind it, not because they have fucking amazing brews. Mikkel has an amazing crew holding his back. People who love beer, but love each other even more. I felt like I was on holidays with a friend and I have met a big family. A very unite family, who talks and have fun all the time, but also knows how to take things seriously.

I’m still overwhelmed. It was the best experience someone could get. An amazing brewery, with a great fucking amazing crew and a fantastic location. Maybe these words can’t help you to get how I feel, so maybe the pictures will give you a small taste.

Ah, about the bar? Go to Tórsthavn and check by yourself, believe me, is worth it.

 

Tromsø: a Paris do Norte

Situada a apenas 350km do Círculo Polar Ártico, você encontra Tromsø, uma cidade vibrante e cheia de histórias. Tromsø é um dos melhores lugares do mundo para ver a Northern Lights – Aurora Boreal e passar frio. Muito frio.

A pequena cidade também é conhecida por sua arte, comida e localização cênica espetacular. Não importa onde você está por lá, você sempre estará cercado pelas belas montanhas cobertas de neve ao sair do avião, cruzar a costa por navio, ou simplesmente andando pela ilha.

Durante o século XIX, Tromsø tornou-se conhecida como a “Paris do Norte”. De onde esse apelido saiu ninguém sabe, mas há quem diga que é porque os visitantes vindos do Sul chegavam à cidade e ficavam surpresos pela sofisticação, algo que eles não esperavam ver ao Norte.

 

Destaques em e perto de Tromsø

Claro que se você estiver bem das pernas (bolsos) vale muito fazer os passeios de rena, trenó e etc. Mas como eu sou estudante e aproveitei uma promo de milhas, deixei pra outra oportunidade, já que quero voltar até lá. Mais infos aqui.

Fjellheisen

O teleférico vai de Solliveien em Tromsdalen até  Storsteinen (421 m acima do nível do mar) em apenas quatro minutos. As duas gôndolas, conhecidas como Foca e Urso Polar, tem uma capacidade de 28 passageiros cada uma . Da plataforma de observação na estação superior, você pode desfrutar de vistas panorâmicas espectaculares de Tromsø e as ilhas, montanhas e fiordes. Dizem que durante o verão é um ótimo lugar para ver o sol da meia-noite ou a Aurora Boreal, em seu pico (outubro- fevereiro).

 

Mack Bryggeri Tour

Se você, assim como eu é apaixonado por cerveja, a parada na Mack é obrigatória. Uma das cervejarias mais antigas da Noruega, fundada em 1877, também é dententora do bar mais antigo de Trømso – Ølhallen, que serve mais de 67 tipos de cervejas. O pub Ølhallen abriu as portas em 1928 no porão da Macks Bryggeri, a cervejaria mais ao norte do mundo.

A cervejaria Mack é ainda mais antiga do que Ølhallen. O padeiro Ludwig Mack era um homem religioso que ficou consternado com a embriaguez da classe trabalhadora de Tromsø do século XIX. Nessa época, as pessoas bebiam principalmente shots, e algumas estavam tão constantemente intoxicadas que bebiam de casa e de casa. A cerveja tem muito menos álcool em volume do que bebidas destiladas. Por esta razão, Ludwig Mack estava convencido de que a cerveja poderia ser uma boa troca/ substituição e reduziria a concentração de álcool que as pessoas bebiam. Assim, em 1877 ele começou a produzir a Mack, assistido por seu pai que era alemæo de Braunschweig. A cervejaria é ainda propriedade da família Mack, e tem resistido a todas as tentativas de comprá-lo pelas gigantescas cervejarias internacionais ao sul do círculo do Ártico.

O tour pela antiga Mack é sensacional. O ponto alto para mim foi saber que ao testar novas receitas, os mestres cervejeiros da Mack têm na música o ponto alto: uma planilha junto ao método (cervejeiro) trabalhado, traz uma lista com as músicas que foram ouvidas durante o processo e, caso aprovada, a nova cerveja traz no rótulo um QR code para a playlist no serviço de streaming Spotify. Sensacional!

 

Os tours acontecem de diariamente às 15h30. Mais informações aqui.

A Noruega é o melhor lugar do mundo para se viver (?!)

Me deparei com um link no Facebook, sobre um especial do Globo Repórter sobre a Noruega. Ao assistir, automaticamente comecei a rir. Foi gravado no verão, basicamente nas três maiores cidades da Noruega e focado no que a maioria das pessoas sabe ou já ouviu falar sobre o país: petróleo, fjords, qualidade de vida, Vikings… Pra começar, gravar no verão é fácil, quero ver voltar agora em novembro!

Vamos aos pontos. Eu amo viver aqui e não, não voltaria a morar no Brasil. Sou brasileira com muito orgulho,não quero passaporte noruga, amo o meu país, mas escolhi viver aqui. Cheguei a Oslo há quase 4 anos, sem saber um ÅÆØ, sem conhecer ninguém. Hoje tenho amigos noruegueses, uma vida norueguesa, não sou fluente na língua por culpa minha, mas me viro bem.

O que vemos na mídia é uma Noruega sem problemas, lugar de gente feliz e qualidade de vida acima da média.  O que eu quero com esse post não é falar mal da Noruega, mas mostrar que, todos os lugares no mundo têm seu lado negativo. Como diz o ditado, “é impossível ser feliz o tempo inteiro”, certo? E eu acho importante mostrar isso.

Mas, antes de escrever o seu comentário me enchendo o saco julgando, leia:

10 coisas que vão acontecer quando você se mudar para Noruega.

E mais aqui.

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Estações do ano bem definidas.

Esqueça os 6 meses ou mais de verão e se contente com um mês, se for um bom ano. Caso contrário marque sua passagem para um lugar quente durante a Páscoa e recarregue a vitamina D. Estamos em novembro, hoje a primeira nevasca caiu em Oslo e a previsão para esse ano é de um inverno bem rigoroso.

Novembro, para mim, é o pior mês do ano. Entra o horário de inverno, escurece cedo, o frio vem com tudo… Amanhece tarde e escurece por volta das 15h, 15h30, ao contrário do verão em que o sol-da-meia-noite atrapalha o nosso sono. Agora é hora de ter problemas para levantar da cama, afinal, o sol mal dá as caras.

Dezembro/ janeiro as coisas começam a melhorar com a chegada da neve. O frio continua, mas ao menos existe o mínimo de luz. Hora de caprichar na dose de vitamina D, mesmo se sua pele for morena/ negra e se dedicar à atividades físicas. Eu sempre passo o Natal no Brasil e volto recarregada e pronta para encarar o inverno. Adoro neve, adoro esquiar, então não tenho problema algum. Ainda vejo a neve como algo mágico e lindo.

Obviamente, com o frio e a escuridão, os índices de suicídio, depressão e alcoolismo aumentam. Isso não é balela, acontece mesmo. Ficar sem ver a luz do sol por meses é algo extremamente triste. Aqui em Oslo o sol não some por completo, mas ao norte do país, socorro! Não tem aurora boreal que salve.

Dupla-moral

Sempre discuti dupla-moral por aqui com alguns amigos. Um dos maiores exemplos, na minha opinião, é o Nobel da Paz. Acredito que eu não precise explicar, é só vocês verem a lista dos ganhadores. Já falei tanto sobre isso que pra me poupar de ouvir merda, nem falo muito.

O uso de armas é extremamente restrito ao exército. A Noruega é o país mais pacífico no mundo, de acordo com o estudo Global Peace Index , no entanto, o sétimo maior exportador de armas, munições e tanques, de acordo com um estudo realizado pelo Statistisk sentralbyrå. Fora que a polícia não tem treinamento, o que literalmente leva alguns dos policiais a atirarem no próprio pé, já que não fazem ideia de como usar o armamento. Tragicômico.

Outro ponto seria o fato de que a Noruega é parte da NATO/OTAN. O problema é que alguns membros da OTAN estão envolvidos em guerras, como no Iraque ou no Afeganistão. Dependendo da sua posição sobre a moralidade desses conflitos, você sabe que exportar armas para os países que lutam por lá, pode ser problemático. A Noruega tem também, suas próprias tropas no Afeganistão, e isso torna as coisas ainda mais complicadas. Um grande desafio é impedir que importadores de armas norueguesas os reexportem para países em guerra. No caso dos países nórdicos e dos seus aliados da NATO, a Noruega não exige declarações dos utilizadores finais que impeçam as reexportações.

Pior ainda é a política de petróleo. A Noruega é o terceiro maior exportador mundial de petróleo e gás, fornecendo mais de um terço das receitas do governo. Em 2008, quando a duplicação dos preços mundiais do petróleo derrubou milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, as receitas do petróleo elevaram os cofres do governo em 17 vezes o valor da ajuda externa da Noruega. A Statoil, maior refinaria norueguesa, é detida a 67% pelo governo, opera em vários países acusados de corrupção e de graves registros de direitos humanos, como o Azerbaijão, Angola, Irã e Nigéria, e Iraque.

No ambiente, a imagem bonitinha da Noruega também é fora da realidade. É verdade que quase toda a eletricidade doméstica vem de usinas hidrelétricas e a Noruega foi uma das primeiras a adotar um imposto de carbono para combater o aquecimento global, em 1991. No entanto, com 0,1% da população mundial, a Noruega emite 0,3% de emissões de gases de efeito estufa; Se as exportações de petróleo estiverem incluídas, o valor pode ser de cerca de 2%. O país é visto internacionalmente como um modelo de papel verde por muitos por sua promessa de neutralidade climática em 2030, sua dependência de energia hidrelétrica e planos ambiciosos para carros elétricos. Mas isso será parcialmente alcançado pela compra de reduções de carbono em outros países, não reduzindo a zero as próprias emissões daqui. Um processo acabou e ser aberto contra o governo norueguês por uma decisão de abrir o mar de Barents para exploração de petróleo, que os ativistas dizem violar a constituição do país e ameaça o acordo climático de Paris.

Educação, sistema de saúde. Pageu os impostos e fique bem!

Já escrevi sobre o sistema educacional aqui.

Estou no final do meu mestrado na Universidade de Oslo e mais do que satisfeita. Eu pago cerca de 800kr (80 euros) por semestre, e só. Tenho acesso a todo material gratuitamente, disponibilizado pela UiO, além de um suporte incrível pelo meu departamento (Mídia). Como estou tratando a minha doença ocular agora, avisei a administração do meu curso e enviei um atestado médico, só por precaução. Me surpreendi com o suporte oferecido pelos professores e administração, algo que nunca tive no Brasil. Mais do que isso, o nível dos docentes, a qualidade das aulas e seminários, nada se equipara ao que tive no Brasil. Temos muitas viagens de campo, em que a faculdade banca hotel, voos e um jantar em grupo, fora o suporte para irmos à conferências e seminários fora do país. Costumo dizer que aprendi a estudar aqui. Somos obrigados a ler mais de 1000 páginas por matéria, todo semestre. Se não ler, não passa. Se não passar, não recebe o suporte financeiro do governo: uma bolsa mensal para que os estudantes não tenham que estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Ok, as taxas por aqui são insanas. De até 36%. Mas o retorno é imediato. Como muitos sabem, estou tratando uma doença nos olhos. Foi algo rápido, acordei um belo dia cega do olho esquerdo. Agradeço todos os dias por pagar as taxas. Caso contrário, em bom português, eu estaria fodida. Cada ida ao médico público custa 345kr (cerca de 35 euros). Minha média em um mês, sem contar os exames e intervenções, foi de uma ida diária. Se você for bom de matemática já caiu duro da cadeira. MAS, como eu sou uma cidadã do bem e cumpro com os meus direitos, após gastar uma certa quantia, um pouco mais de 2500kr (250 euros), tudo é gratuito (até o final do período estipulado por eles, no meu caso, 31 de dezembro): medicação, atendimento, intervenções, etc. O chamado frikort. Tudo o que paguei acima do valor que eu citei, vai voltar pro meu bolso. Fora que, alguns dos medicamentos fora deste tratamento, como antialérgicos, eu pago somente 60% do valor, porque é algo que meu médico atestou que eu preciso constantemente.

Pessoas

Falar de gente é bem relativo, até porque gosto é que nem bunda. Eu falo muito, me movimento bastante quando falo, sinalizo, aponto. Desde que me mudei para cá mudei muito. Sou mais centrada, falo bem menos, fujo de fofoca e de confusão. Meu grupo de amigos é bem internacional e as pessoas mais próximas são norueguesas – o que me fez aprender muito sobre como respeitar a cultura e as pessoas. Além de uma amiga brasileira que vive em outra cidade e um amigo brasileiro aqui em Oslo. Norueguês custa a virar amigo, mas quando vira, é para sempre. Ouvi isso 3 anos atrás e hoje, mais do que nunca, tenho certeza. E mais: amigo fiel e leal, pau pra toda obra.

Obviamente eles são diferentes. Ninguém é como o brasileiro; vamos combinar que às vezes a gente chega a ser insuportável. As pessoas são mais fechadas e reservadas, o que faz muita gente a achar que eles são frios. Uma coisa que eu nunca vou mudar é deixar de abraçar as pessoas. Abraço sempre, até desconhecidos e já aviso: desculpa, eu abraço as pessoas. Recado dado, ninguém fica sem graça. Eu particularmente não tenho problema algum com os noruegueses, me mantenho na minha e respeitando sempre, todas as vezes que conheço alguém.

Se a Noruega é o melhor lugar do mundo pra se viver, claro, depende de pessoa pra pessoa. Eu estou bem satisfeita aqui, tenho uma boa vida, bons amigos, mas sinto falta da minha família. Mas a  vida é feita de escolhas e eu acertei a minha. Antes de acharem que aqui é o melhor lugar do mundo, pesquisem, joguem no Google, leiam. Nem tudo o que se væ é real. Menos fantasia, mais realidade, por favor.

Mais uma vez, Copenhagen

Não tenho palavras para descrever Copenhagen. Pra mim é sem dúvidas a cpaital mais linda da Escandinávia. Não me canso desse lugar. E no outono, as cores simplesmente mudam toda a perspectiva, principalmente se você só conheceu a cidade durante o verão.

Se você me conhece sabe que eu tenho uma compulsão por comprar passagens aéreas, principalmente durante sábados à noite, quando meu nível alcoólico é alto. Compro e não penso. Comprei há mais de um mês e perguntei pro Evaristo, amigo brasileiro que conheci por aqui, se eu poderia ficar com ele. Evaristo é um desses caras que nunca tem tempo ruim. Eu nunca o vi de mal humor. E daquelas amizades em que não existe pressão, podemos ficar de nos falar por tempos, que vai ser sempre a mesma coisa. Porque nós somos bem similares. Eu aprendi a ser calma e levar tudo na boa e ele é calmo. Passar tempo com ele é certeza de boas risadas, cervejas e comida. E era tudo o que eu precisava.

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Por tempos eu queria voltar e ir novamente à Mikkeller, conhecida pelo mundo. Sempre dava algum problema. Já conhecia a cerveja e um dos bares, mas gente, queria beber mais do que uma cerveja. Dessa vez nos assentamos e  passamos um tempo conversando e degustando as maravilhas do gêmeo bom. GENTE, vale cada centavo. Finalizamos com um jantar bom-bonito-barato num italiano perto, que me deixa com água na boca só de pensar.

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Não sou local em Copenhagen, mas já fui tantas vezes que meu foco é basicamente comer e beber. E a cidade conta com o melhor complexo de comida de rua escandinavo: Papirøen. Escrevi sobre isso aqui. Nem preciso falar, a foto ilustra bem o meu sentimento de felicidade. Comida boa devia ser lei. O melhor frango frito que comi na vida, melhor do que nos Estados Unidos, do que aqui em OSlo. 100DKK por um box cheio de batatas e frango no Chick Ko. O cachorro-quente,  gigante, seria melhor se estivesse quente. Sou chata mesmo. Bacon frio?  Nah.

Post curto, mas fica a dica: Mikkeller e Papirøen!

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Positividade faz mal à saúde dos outros

Never late to remember. If you want the english or norwegian version, click here 🙂

Outra parte do meu diário da cegueira. Voltei a ter a necessidade de escrever sobre mim, algo que não fazia por algum tempo. Não me importo se estão lendo ou não; minha terapia é essa: escrever.

Tenho me mantido firme e positiva há 21 dias. Brinco, faço piadas sobre mim mesma, e me deixo levar. Hoje pela manhã, pela primeira vez me senti muito mal. Senti a necessidade de ter pena de mim. A mesma pena que eu me recusei a aceitar quando veio dos outros. A tal da “dó”. Do ouvir “tadinha dela”. Ouvir isso esses últimos dias me doeu. Ouvi boas piadas, que me fizeram gargalhar: convites pra assistir a filmes 3D, uma conhecida que tem mais de 20 graus de miopia disse: “E pensavam que eu era cega” – depois de eu colocar os seus óculos e ver que era em vão. O sorriso que saia largado veio amarelo e sem graça, afinal, é verdade: coitada dela, tá cega.

A gota d’água, veio no caminho pro aeroporto. Dislexia e cegueira definitivamente não caminham juntas. Espero que não sejam inimigas. Carregar a mala, descer e subir escadas e tentar achar o voo no monitor de 40″ virou missão de risco. Ah, e a bendita falta de profundidade? Piso baixo, tento pegar as coisas achando que tá perto… Maldita cegueira! Como me readaptar? E daqui pra frente? E as dores constantes durante a noite? E as 16 pílulas, 3 colírios, quando isso vai acabar?

Confesso que não aguento mais. As idas ao hospital, os remédios, a falta de apetite, o peso perdido, tudo isso tá no meu limite. O estresse, a raiva, entalados, por um fio de serem extravasados.

Chorei um dia. E agora, quando o avião decolou. Percebi que não dá pra ser positiva o tempo todo. Tentei ao máximo segurar a bola. Mas o fato das pessoas se assustarem com a minha positividade me desanimou. Por que não aceitar o fato de que sim, dá pra levar a vida numa boa, mesmo com tantos percalços e problemas? Outra: por que ainda se preocupar tanto com o problema do outro, quando só um abraço/ mensagem resolveria?

Depois do meu primeiro desabafo recebi tantas mensagens confortantes que eu era só sorrisos. A minha positividade fez mal a tanta gente que depois de longos e felizes 21 dias, o período tenebroso parece que chegou pra mim.

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Quando foi a última vez que você viu algo com outros olhos?

Cá estou eu, pelo 16ºdia seguido para meu checkup diário. O que eu tenho chamado de checkin, porque o processo, além de chato e entediante, já se automatizou.

Vamos aos fatos. Há algumas semanas atrás eu me queixei de terríveis dores de cabeça que estavam me atormentando e que para mim não passavam de sintomas de stress: finais na faculdade chegando, etc., até que em um belo dia de sol, eu acordei cega do olho esquerdo. Boom!

Cega. Engraçado porque eu sempre tive medo de perder os movimentos das pernas, de perder a audição por completo. Mas o poder de enxergar? Imagina, vão sempre haver oftalmologistas, óculos e lentes de contato. Errado. Me vi 100% cega em um olho que já era mais fraco, mas que eu nunca imaginei que um dia me deixaria na mão.

Do médico particular para o Hospital universitário foi um pulo. 9 especialistas sem saber o que estava acontecendo, excitados com a novidade, já que por aqui eu sou o primeiro caso pelo ao menos dos últimos 15 anos. Contato via twitter com o grande Dr. Raphael Santos, que conhece meus olhos e me acalmou: “Toxoplasmose não é comum na Noruega, mas o tratamento é simples”. Mas, gente, cega, eu?

Mas voltamos ao ponto desse texto: quando foi a última vez que você viu algo com outros olhos? Não estou falando da roupa da sua amiga, do carro do vizinho. Mas, sobre quando você olhou para algo/ alguém e se viu em outro plano?

Assim que ouvi sobre a minha visão, me vi pensando sobre isso. Sobre quantas vezes eu vi o outono chegar por aqui, pegava uma folha, tirava uma foto e postava no Instagram. Dessa vez me vi olhando para as árvores quase nuas e agradeci por ter a oportunidade de continuar enxergando, mesmo que pela metade. Revirei fotos antigas e sorri ao relembrar as minhas últimas férias no Brasil com a minha família, o sorriso banguela da Elisa pelo FaceTime e os dentes enormes e brancos da Bruna quando ela veio me ver em Junho. A primeira foto que eu recebi do bebê da minha amiga-irmã, Arthur, de olhinhos arregalados. Uma foto da minha mãe de calça jeans, enviada pelo meu irmão e que me fez rir por minutos.

E é o que eu tenho feito todos os dias quando eu acordo e vejo que agora, tudo mudou. Eu paro e começo a ver as coisas com outros olhos. Outro sentido. Outro valor.

Não se engane. Eu não estou triste, decepcionada, depressiva ou pagando de Drama Queen (o que eu já sou por natureza). Não sinta pena ou dó de mim. Tenho sido forte e positiva, (fato que, para os que me conhecem é praticamente impossível). Feliz por ter tanta gente com boa energia por perto. Agora tenho buscado informações e grupos de apoio onde eu possa fazer um voluntariado e de alguma forma fazer a diferença. Mas, como tudo na vida, fica o questionamento, outra vez: Quando foi a última vez que você viu algo com outros olhos?

Se você me conhece, sabe que eu escrevo, quase nunca falo sobre problemas pessoais. Hoje eu precisei escrever, no caminho de volta da minha consulta, voltar a ter meu diário. Não são estão sendo dias faceis, tenho ficado muito tempo sozinha exatamente para tentar entender e aceitar isso. A aceitação veio com facilidade, até o meu primeiro tombo de escada. “É, com esse daí eu já não posso contar mais”, pensei.

Sobre a minha a minha doença, volto a escrever depois, com calma. É mais comum do que as pessoas imaginam e, pasme, muita gente tem e não faz a mínima ideia.

Essa foto abaixo foi a última foto que eu tirei antes de começar a perder o olho esquerdo, no dia seguinte. E por mais estranho que pareça, antes de tirar eu me sentei, e comentei o quão lindo o dia foi e estava terminando. Um dia frio, com sol, muitas nuvens e cores. Nem quis editar. Acho que é forte o suficiente para me perguntar todos os dias a partir de agora, quando foi a última vez que eu vi algo com outros olhos.

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The highlights of Hong Kong

I must say that Hong Kong it is one of the most amazing cities I ever been. It is mysterious, modern and has lots to offer. The multicultural people, the aesthetics of Chinese Revival architecture and the food, make this place unique.

Rains a lot in the island and the humidity it is quite high during the summer season. Do not leave the hotel without an umbrella or a light rain jacket, because when it comes, there is no escape. There is air conditioner all around, so if you want to refresh, just stop at a /Eleven or a mall.

In my opinion HK it is way safer than Oslo. And Oslo it is insanely safe. But still, be careful with your valuables on crowded places, such as the metro and buses. But there is no problem about walking around with an expensive camera or mobiles.

Forget everything you know about politeness. If your mom told you to do not burp nearby by the guests, in HK it is not a problem. I couldn’t hold my laugh every time someone farted or burped at a restaurant. Culture!

We all know the Asians are crazy for technology. In HK they take it to a next level: the weird one. I started to think if I’m using my gadgets for my well being or what. In HK they never leave their phones. All the time, anywhere, everywhere, they are connected playing or checking their social media. Was something anormal for me, even thought I still think that in Norway people use their gadgets a lot. But in HKG it is insane!

HK it is a magical place. From the wonderful skyscrapers, passing by the cuisine and culture, the city has lots to offer. Unfortunately, I could not make the Giant Buddha, super expensive and in the end, I just wanted to sleep and rest. But still, here are some of my high points while in the city.

  1. The Peak

Climbing above the financial heart of the Island, the Peak has one of the best views of HK and neighbourhoods. To rise up to the viewpoint, it is necessary to catch the Peak Tram, knowing by been the first cable funicular in Asia, in operation since 1888.

The view at 552m above the sea makes The Peak the highest point on HK and will give you the best panorama of the Island, worth the visit! Do not forget to pay extra to get access to the Panorama 360 view.

  1. Temple Street Night Market

As the name says, the Temple market it is a night market at one of the most famous and busiest streets in Kowloon neighbourhood. At the market, you can find local food at a super cheap price to fake electronics, watches, and bags. Use your bargain abilities to negotiate with the sellers. I can tell that you will be surprised by how easy it is to get a nice price if you just ask. I bought a bag for 100HKD, which cost 280HKD, and of course, they still made money on it. Temple Street Market, it is a physical version of the websites Alibaba and Deal Extreme.

If you wear contact lenses as I do, the best price can be found a few streets up, at Sai Yeung Street. Usually, I buy mine in Brazil, but I got daily lenses for 6 months for 90HKD each box with 30. To have an idea, in Oslo, I would pay circa 500kr for a month.

For the Instax lovers as I’m, the Instax film can be found for 55HKD for 20 pictures. In Oslo it costs 230kr.

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  1. Get lost.

I keep saying this because getting lost for me it is one of the best ways to know a place. Start to walk close to your hotel and get to know the facilities nearby. You might be surprised about how much nice stuff you will discover around. In HK I would point Kowloon as a great place to stay and walk around.

  1. Cross HK island to Kowloon on the legendary Star Ferry

This legendary 15min ride from Victoria Harbour takes you to the Kowloon (Central – Tsim Shai Tsui) it is extremely charming and gives you a great view of the skyscrapers during the day and an unforgettable sight of the dancing lights during the night. Star Ferry was founded in 1880 and carry daily more than 5000 thousand passengers, every 15min.The National Geographic Traveler named the ferry crossing as one of 50 places of a lifetime. The ferry ride is also well known as one of the world’s best value-for-money sightseeing trips.Tickets costs 2,50HKD. Take note: there is a tour service with prices from 98HKD.

  1. Disneyland

I love Disneyland. I’m such a Mickey Mouse fan, that I spent 45 min in a giant queue just to take a new picture with it. I had no expectations about the HK version, so when I arrived I was fine about to see the lack of attractions for the grownups. If you have time, I would suggest a visit, but knowing that there are barely 3 attractions for the old ones. Still, it is Disneyland, the place where the magic happens. The price is not bad if we compare to the other Disney parks. A must see: the Lion King show. Impeccable, beautiful and in English. I felt like a kid when I started to sing all the movie’ songs alone since 90% of the crowd was Asian. I could see how disappointed they were.

Info: https://www.hongkongdisneyland.com/

6. Enjoy the architecture

Hong Kong old constructions are knocked down and replaced with taller, shinier versions almost while your back is turned. The Island is keep growing and losing lots of its potentially architecture history. This persistent cycle of destruction and construction won’t stop, so use your time to visit some of the historical buildings.

The brightly colored Alhambra was built in 1958 and it is a commercial/ residential block in the end of the famous Temple Street. The building it is definitely a landmark around the area!

 

 

Info:

To see the HKD value: www.xe.com

Language: Cantonese and Chinese. You will get all the necessary information at metro, buses, airport in English, but this language it is not often used.

My experience eating the cheapest Michelin’ awarded dish

[Português em breve, ou use o tradutor linkado <3]

Forget everything you know about Michelin restaurants being expensive and luxurious. I truly believed myself that could be impossible to eat a Michelin’ dish for less than 10 dollars.

I had the chance to “meet” the hawkers in Singapore, what is more than a simple food court: it takes you to the best kitchen experience in town, maybe in all Asia. And also, the new town of the cheapest Michelin’ awarded restaurant.

In Chinatown, at the Maxwell Food Centre, was time to eat one of the best chicken and rice in the world. So, after 25 minutes in the queue and no air conditioning to combat Singapore’s roasting heat, to buy one of the most famous dishes in Chinatown’s Hawker: rice chicken. The now famous stall “Hong Kong Soya Sauce Chicken Rice & Noodle” is now a milestone for street food in the history of the reputed Michelin Guide.

A giant queue shows that something happened there. Behind a small balcony, three people squeezed into a minimum space to serve one of the dishes that costs from 2USD and tastes like heaven!

According to the Michelin guide, one-star award is given to restaurants that offer “high-quality cooking, worth a stop”. If you ever have a chance to go to Singapore, take a time to dine at this or one of the innumerous Hawkers around the city. An experience for life.

 

Info:

Maxwell Food Centre -Open from 8 to 10pm1 Kadayanallur St, Singapore 069184

1 Kadayanallur St, Singapore 069184